Trabalho apresentado na UFMG Jovem 2012 .
Introdução
O Água em Foco tem como principais objetivos: (I) a formação inicial, com os alunos do
Curso de Licenciatura em Química da UFMG, e continuada de professores, para
trabalhar com a metodologia de projetos temáticos de investigação de problemas
abertos, de acordo com uma abordagem CTS – Ciência, Tecnologia e Sociedade e
(II) a formação do aluno do ensino médio, preparando-o para o exercício da
cidadania.
Os
projetos temáticos possibilitam à escola não apenas reproduzir o conhecimento
científico acumulado pela humanidade, mas também produzir conhecimentos sobre a
realidade social e ambiental, usando a investigação científica como ferramenta.
Esses conhecimentos são utilizados não apenas para refletir sobre essa
realidade, mas também para subsidiar ações visando a sua mudança.
O Água em Foco tem como um
dos objetivos fornecer conhecimentos relevantes que possam servir de ferramenta
cultural para o estudante participar ativamente da sociedade moderna,
caracterizada, sobretudo, pela presença da ciência e da tecnologia. O importante
em projetos deste tipo é levar o aluno a entender os conceitos científicos e as
implicações sociais das ciências naturais e das tecnologias na sua vida, além
de desenvolver valores e atitudes para uma ação social responsável.
O enfoque está em explorar
alguns aspectos da vivência do aluno, motivando a reflexão e a adoção de uma
postura necessária para a transformação da sociedade tecnológica em uma
sociedade mais igualitária na qual se busque assegurar a preservação do
ambiente.
A abordagem temática do
Água em Foco é assumida como elemento constitutivo de formação para a
cidadania, consolidando o uso de ferramentas do conhecimento químico no
encaminhamento de soluções de problemas sociais, desenvolvendo valores e
atitudes. É com essa abordagem que o projeto explicita as relações Ciência –
Tecnologia – Sociedade (CTS), associadas ao problema da qualidade da água para
uso humano, buscando enfatizar a educação ambiental.
Considerando que as atuais
propostas para o ensino de Química têm como pressupostos a necessidade de
participação ativa dos alunos nas aulas, o projeto cria oportunidades para que
eles falem das suas experiências de vida e explicitem os conhecimentos prévios
que aplicam a situações cotidianas, dando condições para que o professor
introduza conhecimentos científicos potencialmente úteis para a transformação
ou a sofisticação desses saberes cotidianos. Essa é uma das formas de
possibilitar, na sala de aula, a construção de conhecimentos significativos
pelos alunos.
As atividades do projeto
propiciam aos alunos a oportunidade de entrar em contato com diversos fenômenos
e buscar compreendê-los em um processo interativo professor/aluno e
aluno/aluno, numa dinâmica que busca contemplar os horizontes conceituais dos
alunos. As atividades propõem algumas questões que poderão ser discutidas pelos
alunos em pequenos grupos. O professor pode acompanhar as discussões nos grupos
propondo novas questões e fornecendo novos elementos para a discussão. Após
estas discussões, sugere-se que o professor proponha uma discussão de
fechamento do assunto com toda a turma, retomando os pontos que lhe pareceram
mais importantes.
Para dinamizar as
discussões, é sugerida a utilização de fatos trazidos da vivência dos alunos,
textos, tabelas de dados etc. O processo de aprender ciência envolve tanto
processos individuais como sociais. A
relação sujeito-objeto é mediada pelos signos e ferramentas culturais, sendo a
linguagem a principal dessas ferramentas. A realização das atividades propostas
no projeto Água em Foco se apóia nos pressupostos teóricos ligados ao
sócio-construtivismo de inspiração vygotskyana.
Para Silva (2001), esse
momento de discussão é importante para que os alunos tenham a oportunidade de
apresentar para os colegas e para o professor os resultados obtidos durante as
discussões em pequenos grupos e, também, porque é nesse momento que o
professor, junto com os alunos, organiza os conceitos que foram postos em
circulação e cujos sentidos foram construídos mediante um processo de
negociação que caracteriza a construção coletiva dos enunciados que utilizam
esses conceitos.
Para dar início às
discussões em sala de aula, o Água em Foco tem como proposta apresentar um
problema aberto para os alunos resolverem a partir dos conhecimentos adquiridos
nas aulas de Química. Os problemas escolares, em geral, são bem definidos e
delimitados, admitem resposta única, envolvem o uso de algoritmos e, na maioria
das vezes, não se referem a contextos específicos dos alunos. Os problemas que
enfrentamos, no dia a dia, nas diversas atividades sociais são, ao contrário,
abertos. A definição e a delimitação desses problemas são construídas no
processo de resolvê-los. Além disso, problemas abertos admitem respostas
múltiplas e métodos de investigação que demandam a análise de custos e benefícios,
envolvendo valores, atitudes e múltiplas formas de raciocínio (FoCo, 2004). O
tratamento pode se constituir numa abordagem pedagógica que fomenta
competências úteis para investigar problemas de interesse pessoal ou
preocupação social.
Ao lidar com
problemas abertos, em que a ciência é utilizada para subsidiar análise de
custos e benefícios, o projeto Água em Foco procura potencializar a mudança da
cultura escolar ao aproximá-la das práticas reais que o aluno, como cidadão e
trabalhador, encontrará na sua vida.
Em um projeto que lida com problemas abertos existe,
ainda, a possibilidade de trabalhar o processo de metacognição, em que o aluno
vai pensar sobre a sua forma de pensar, refletindo e descobrindo quais as
estratégias utilizadas durante um dado processo de pesquisa, vivência e
descoberta.
O projeto “Água em Foco” tem sido desenvolvido desde o
ano de 2004 em várias escolas das redes pública e particular da grande Belo
Horizonte Horizonte e sua finalidade é a capacitação de professores e futuros
professores para trabalhar com a metodologia de projetos temáticos de
investigação de problemas abertos. Este projeto tem como objetivo a
“investigação de um problema real, relacionado à qualidade da água, a partir
dos conhecimentos adquiridos em sala de aula” (Mortimer, 2007, p.3). A
utilização de situações problemáticas abertas que favoreçam a reflexão dos
estudantes sobre implicações sociais do conhecimento científico tem sido
objetivo de muitas propostas curriculares que visam transformar o ensino de
ciências (Carrascosa et al, 2006). O projeto Água em Foco incorpora esta
discussão colocando como objetivos potencializar a reflexão da comunidade
escolar sobre a realidade, contribuir para a formação de cidadãos críticos e
participativos, tornar a escola um espaço de produção e não somente reprodução
do conhecimento dentre outros (Mortimer, 2005)
Metodologia:
O projeto está sendo desenvolvido em 5 escolas estaduais
participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência –
PIBID. Os alunos do PIBID irão apresentar para o público algumas análises
realizadas para determinar a qualidade da água e também apresentar para o
público a metodologia de projetos como uma estratégia de ensino.
Conclusões:
Esperamos que os visitantes possam
obter informações consistentes sobre o problema da Lagoa da Pampulha. É
importante também que os professores visitantes possam compreender a
importância do trabalho com metodologia de projetos e o uso de problemas
abertos no ensino.
Foto:Luiza Mariz
Bibliografia:
MORTIMER,
E. F. Uma metodologia para caracterizar os gêneros de discurso como tipos de
estratégias enunciativas nas aulas de ciências. In: NARDI, R. A pesquisa em Ensino de Ciência no Brasil:
alguns recortes. São Paulo: Escrituras, 2007.
MORTIMER,
E.F. Água em foco: qualidade de vida e cidadania. Belo Horizonte, 2005.
CD-ROM.
Silva,
Penha das Dores Souza Silva. O projeto
temático na sala de aula: mudanças nas interações discursivas. Tese
(Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas
Gerais, Belo Horizonte, 2010.
SILVA, Penha Souza. Mudanças
nas práticas pedagógicas: o que dizem os professores de Química.
Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2001.
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